Corinthians prioriza pagamentos de atletas em meio a transfer ban

Corinthians em Crise: A Batalha por Regularização e Mercado

O Corinthians está enfrentando uma fase bem complicada em relação à sua situação financeira. A diretoria do clube fez da quitação dos direitos de imagem dos jogadores uma prioridade, uma vez que esses pagamentos estão atrasados. Isso se torna ainda mais problemático, pois o clube está impossibilitado de registrar novos jogadores devido a um “transfer ban” imposto pela Fifa. Essa medida visa regularizar as finanças do time, permitindo que o Corinthians possa voltar a atuar no mercado de transferências.

Pagamentos Pendentes e Atrasos

No dia 25 de junho, a diretoria do Corinthians já havia conseguido quitar os salários em carteira dos atletas, mas os direitos de imagem, que deveriam ter sido pagos até o dia 20, ainda estão pendentes. Essa situação gera um clima de preocupação e incerteza dentro do clube.

O cenário financeiro delicado do Corinthians não é algo novo. Em maio, houve atrasos nos pagamentos dos salários da equipe e da comissão técnica. A regularização aconteceu apenas oito dias depois da data de vencimento, mas os constantes atrasos têm gerado ansiedade e descontentamento entre os jogadores.

Dívidas e o Transfer Ban

Conforme informações apuradas pela Itatiaia, a diretoria do Corinthians está em busca de recursos para reverter o transfer ban. Essa sanção foi imposta devido a uma dívida com o Philadelphia Union, da Major League Soccer (MLS). Embora essa questão seja uma preocupação, o foco principal agora é resolver os pagamentos que estão em atraso.

O goleiro Hugo Souza comentou sobre essa situação após um amistoso contra o Cascavel. Ele destacou a importância de manter a performance em campo, mesmo diante das dificuldades financeiras. “Nós somos profissionais e, independentemente de tudo, precisamos dar nosso melhor todos os dias. É claro que isso nos afeta, mas a diretoria está se esforçando para resolver os problemas”, disse.

Mercado e Finanças em Desequilíbrio

Enquanto isso, o Corinthians também está de olho no mercado de jogadores. O clube está avaliando a possibilidade de trazer de volta o jogador Wesley e está interessado em Arthur, que deixou recentemente o Grêmio. Contudo, qualquer contratação nesse momento depende da regularização com a Fifa.

Além disso, foi relatado que o clube registrou um déficit de R$ 168 milhões nos primeiros quatro meses de 2026, o que é um número alarmante se comparado à previsão orçamentária de R$ 72,9 milhões para o mesmo período. As receitas operacionais brutas totalizaram R$ 273,1 milhões, superando as expectativas de R$ 243,1 milhões. Os principais responsáveis por essa arrecadação foram os patrocínios, que somaram R$ 91,2 milhões, e os direitos de transmissão, que contribuíram com R$ 81,7 milhões.

Despesas Crescentes e Vendas de Atletas

Apesar das receitas, as despesas do Corinthians aumentaram mais do que o previsto. Os gastos com pessoal, que incluem salários e encargos, alcançaram R$ 198 milhões, cerca de R$ 26 milhões acima do orçamento. Além disso, as despesas administrativas também superaram as expectativas, chegando a R$ 43,3 milhões.

O Corinthians não conseguiu atingir a meta de vendas de atletas no primeiro quadrimestre. O orçamento previa uma arrecadação líquida de R$ 75 milhões, mas o resultado foi negativo em R$ 2,4 milhões. Isso inclui R$ 4,4 milhões em receitas de cessões e empréstimos, além de R$ 6,8 milhões em gastos com transações.

Fatores Extraordinários e Estratégias Futuras

Dois fatores extraordinários afetaram o resultado financeiro. O primeiro foi o pagamento de R$ 32,5 milhões em premiações pela conquista da Copa do Brasil de 2025. O segundo foi um desembolso de R$ 6 milhões em tributos relacionados a uma obrigação com o Santos Laguna, do México.

A administração do clube explicou que a decisão de não negociar atletas na primeira janela de transferências foi uma estratégia para preservar o elenco e aguardar a valorização dos jogadores. A expectativa é arrecadar cerca de 25 milhões de euros (R$ 148,5 milhões) na janela de meio da temporada para alcançar as metas orçamentárias.

Vale lembrar que o Corinthians fechou o ano de 2025 com uma dívida total de R$ 2,5 bilhões, que inclui o financiamento da Neo Química Arena. Essa situação exige uma gestão cuidadosa e decisões estratégicas para que o clube possa se recuperar e voltar a ser competitivo.



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