Encontro entre Kushner, Israel e Hamas: O que aconteceu?
No dia 17 de uma segunda-feira, o enviado especial do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner, finalizou uma série de conversas com líderes de Israel e do Hamas. Infelizmente, essas reuniões não resultaram em um desbloqueio do tão esperado plano de cessar-fogo para a Faixa de Gaza, que tem o apoio do Conselho de Paz de Trump.
Jared, que é genro do presidente americano, teve uma reunião extensa, que durou mais de quatro horas, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém. No dia anterior, ele havia se encontrado com o líder político do Hamas, Khalil Al-Hayya, no Egito. O que se viu nessas reuniões foi uma repetição das mesmas exigências que ambos os lados têm defendido há tempos.
As exigências de Israel e do Hamas
A posição de Israel é clara: eles insistem no desarmamento completo do Hamas antes de qualquer retirada de suas forças de Gaza. Já por outro lado, o Hamas tem uma visão diferente. Eles exigem que o cessar-fogo seja respeitado, que os ataques israelenses sejam interrompidos e que as tropas israelenses deixem a região antes de considerar a entrega de suas armas.
Após o encontro com Netanyahu, um representante do Conselho da Paz, que é um órgão apoiado pelos EUA para implementar o plano de Trump, declarou que não haverá retirada ou reposicionamento das Forças de Defesa de Israel em Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado. Isso inclui a eliminação de armas de todos os tipos, sejam leves ou pesadas, além dos famosos túneis que o grupo utiliza.
Esse mesmo representante afirmou que o Hamas teria concordado em desarmar e interromper suas atividades militares, como o rearme e a construção de novos túneis. Entretanto, Netanyahu deixou claro que as forças israelenses continuariam a operar em Gaza conforme considerassem necessário e que Israel mantém o direito de se defender caso o Hamas volte a realizar ataques.
Condições para a reconstrução de Gaza
Além das questões de desarmamento, Netanyahu também condicionou o início da reconstrução de Gaza ao desarmamento do Hamas. Kushner declarou que o grupo poderia começar a entregar voluntariamente suas armas em um período de 60 a 90 dias. Ele acredita que, se isso acontecer, haveria espaço para avanços no processo de paz.
Em uma entrevista à Fox News, Kushner disse: “Se o Hamas realmente entregar voluntariamente as armas que estão nos túneis nos próximos 60 a 90 dias, isso obviamente eliminaria uma enorme ameaça à segurança de Israel.” Contudo, ele reiterou que os EUA estariam prontos para apoiar novas ações militares israelenses caso o Hamas não cumprisse seus compromissos.
Divergências entre Hamas e Israel
O ponto crucial dessa situação é que o Hamas afirma que o desarmamento depende de ações anteriores de Israel, como a interrupção dos ataques e a retirada das tropas. Por outro lado, o governo de Netanyahu considera o desarmamento do grupo uma condição essencial para qualquer retirada militar. Essa divergência tem sido um obstáculo significativo para o plano de 15 pontos que foi apresentado pelo Conselho de Paz de Trump.
Recentemente, o Hamas havia indicado que concordava com o roteiro de paz, mas sua implementação estava atrelada ao cumprimento dos compromissos por parte de Israel. Durante a reunião em Jerusalém, Kushner, Netanyahu e autoridades americanas concordaram em criar grupos de trabalho focados no desarmamento e em questões essenciais como saneamento, água potável e saúde pública.
Avanços nas conversas?
Apesar da ausência de um acordo, Kushner descreveu a reunião com Netanyahu como “muito, muito boa”. Ele mencionou que foram abordadas preocupações que o primeiro-ministro israelense considerou legítimas, assim como questões sobre o direito de Israel de se defender e a reconstrução de Gaza. No encontro no Egito, representantes do Hamas afirmaram que disseram “tudo o que era necessário”.
Entretanto, Kushner expressou sua desconfiança em relação ao Hamas, afirmando que “é muito, muito difícil confiar em uma organização terrorista que cometeu atrocidades terríveis”. Para ele, o próximo passo deve depender de ações concretas do Hamas. “Vamos dar a eles uma chance de agir, mas isso terá de se basear em ações e medidas concretas”, concluiu.
Vale lembrar que esse encontro em Jerusalém foi o segundo conhecimento entre Kushner e representantes do Hamas. Em outubro de 2025, ele havia participado de conversas que resultaram em um cessar-fogo em Gaza e na libertação de reféns mantidos pelo grupo.