Por que o Grêmio deve permanecer como um clube associado e evitar a SAF?
O debate sobre a transformação de clubes de futebol em Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) tem ganhado força no Brasil. Nesse contexto, o presidente do Grêmio, Odorico Roman, expressou sua preferência em manter o modelo associativo do clube, que é uma característica histórica e identitária dos clubes brasileiros. Sua posição foi amplamente discutida durante sua participação no programa CNN Esportes S/A, realizado no último domingo, dia 15.
A importância do modelo associativo
Para Roman, o modelo associativo é fundamental, pois ele acredita que a essência do Grêmio está diretamente ligada à participação dos sócios na administração e na identidade do clube. Ele menciona que ser sócio do Grêmio é uma parte significativa da sua vida, e a transformação do clube em uma SAF poderia retirar esse sentimento de pertencimento dos associados. “Eu particularmente não gostaria que o Grêmio virasse SAF, porque eu sou sócio do Grêmio há muito tempo e penso que a SAF tira um pouco desse espírito da ideia do associado de que o clube pertence a ele”, declarou.
Essa visão é compartilhada por muitos torcedores e sócios, que acreditam que a relação próxima entre o clube e seus associados é o que torna a experiência de torcer pelo Grêmio tão especial. A paixão e o envolvimento dos torcedores são elementos que muitas vezes não podem ser mensurados financeiramente, mas que são essenciais para a cultura e a tradição de um clube.
Desafios do cenário competitivo
Roman também reconheceu que a crescente popularidade das SAFs no cenário futebolístico brasileiro está mudando a dinâmica de competição entre os clubes. Ele admitiu que, em alguns casos, a migração para esse modelo pode se tornar inevitável, especialmente quando a situação financeira de um clube se torna insustentável. “Mas a gente sabe que isso é um movimento que, dependendo da situação, se torna irreversível. Existem clubes que hoje no Brasil não têm solução fora disso”, afirmou.
Isso levanta um ponto interessante sobre a necessidade de adaptação no mundo do futebol. Enquanto alguns clubes estão se transformando em SAFs para garantir sua sobrevivência financeira, outros, como o Grêmio, buscam explorar alternativas para manter sua estrutura tradicional. Roman enfatizou que a gestão atual está empenhada em encontrar soluções internas que possam fortalecer o clube sem a necessidade de abrir mão do modelo associativo.
Estratégias para a sustentabilidade financeira
A estratégia da diretoria do Grêmio envolve uma série de medidas voltadas para a sustentabilidade financeira. Roman destacou a importância de ações como a renegociação de dívidas, o aumento das receitas comerciais e a exploração econômica da Arena do Grêmio. “Nós estamos trabalhando para que o Grêmio não precise se transformar em SAF. Queremos fortalecer o Grêmio e fazer com que o Grêmio volte a competir e ganhar títulos no modelo associativo”, disse o presidente.
Essas ações são vistas como essenciais para garantir a autonomia do clube e preservar o envolvimento dos sócios nas decisões. A nova gestão acredita que a reorganização econômica pode permitir que o Grêmio se mantenha competitivo, sem precisar abrir mão de seus princípios e valores fundamentais.
Conclusão
O debate sobre a transformação do Grêmio em uma SAF é complexo e repleto de nuances. Enquanto o clube enfrenta desafios financeiros e competitivos, a postura de Odorico Roman em defesa do modelo associativo reflete uma visão mais ampla sobre a importância da identidade e da participação dos torcedores. Em tempos de mudanças rápidas no futebol, a busca por soluções que respeitem a história e a tradição do clube é um caminho que pode garantir não apenas a sobrevivência, mas também um futuro promissor para o Grêmio.