Pivô da “Máfia do Apito” lamenta envolvimento e diz viver “pena perpétua”

A Trágica História de Edilson Pereira: Reflexões sobre Arbitragens e Arrependimentos

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Edilson Pereira de Carvalho, um nome que ficou marcado na história do futebol brasileiro, é lembrado não só por sua carreira como árbitro, mas também pelo envolvimento no que ficou conhecido como a “Máfia do Apito”, um dos maiores escândalos de manipulação de resultados no esporte nacional. Em 2005, suas ações resultaram em um impacto profundo na sua vida e na vida de muitas outras pessoas, levando a consequências que ele ainda carrega consigo até hoje.

O Escândalo que Mudou Tudo

Ao longo de sua carreira, Edilson foi responsável por apitar diversas partidas importantes, mas sua trajetória tomou um rumo trágico quando, para ganhar uma quantia que variava entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por jogo, ele decidiu se envolver em fraudes que afetaram o resultado de partidas. Em uma entrevista recente ao canal Cosme Rímoli no YouTube, Edilson fez um desabafo sincero sobre suas escolhas que arruinaram sua carreira e sua vida pessoal. “Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira, com a minha vida, com a minha família. Minha filha não fala comigo. Ninguém me dá emprego”, revelou ele, expressando o peso de suas decisões.

As consequências de suas ações foram devastadoras. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anulou 11 jogos apitados por ele durante o Campeonato Brasileiro de 2005, causando um impacto negativo não só na sua carreira, mas também na credibilidade do futebol brasileiro como um todo. Edilson não consegue se perdoar, e a culpa o acompanha todos os dias. “Eu não me perdoo. Nenhum dia, nenhuma noite. Quase todas as noites eu sonho estar dentro de campo ou lembrando dos meus amigos que trabalharam comigo. Eu não me perdoo”, afirmou, evidenciando um profundo arrependimento.

As Consequências Pessoais e a Luta Contra a Depressão

Além das repercussões profissionais, a vida pessoal de Edilson foi severamente afetada. O ex-árbitro falou sobre o impacto em seu casamento e o distanciamento da filha, que não se comunica mais com ele. A dor emocional o levou a momentos sombrios, e ele revelou que chegou a tentar suicídio várias vezes. “Foi muito grande o que eu fiz pro brasileiro. Interessa sim, é a paixão do brasileiro”, disse, refletindo sobre a gravidade de suas ações e o sofrimento que causaram.

Ele descreveu um episódio em que, sentindo-se completamente perdido, chegou a pegar uma arma e tentou se suicidar. “Eu só sabia chorar. E ligava pra minha mãe e com o revólver ali. Tentei três, quatro vezes, suicídio. Disparei, estourei a telha. Tentei atirar e a bala passou de raspão duas vezes”, contou, revelando a intensidade de sua dor.

Um Encontro Inusitado na Prisão

Durante um período de detenção em setembro de 2005, Edilson teve uma interação memorável com o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, que também estava preso na mesma unidade. Edilson lembrou que, ao entrar na cela, Maluf o reconheceu e fez uma brincadeira, dizendo que ele havia salvado a vida dele. “Foi um alívio, mas também me deixou mais envergonhado”, comentou.

Reflexões Finais

Hoje, Edilson vive com a consciência pesada das escolhas que fez e das vidas que afetou. Ele se considera em uma “pena perpétua”, refletindo sobre o que poderia ter sido e as oportunidades que perdeu. “Pra mim é (uma pena perpétua). É vergonha pra mim, claro que é. A pessoa tem que sentir, como eu senti, como eu sofri nos meus empregos”, finalizou.

As lições do caso de Edilson Pereira de Carvalho são um lembrete sombrio sobre as consequências que podem surgir de decisões impensadas, especialmente quando o dinheiro e a ambição se entrelaçam com a ética e a integridade. Que sua história sirva como um alerta para todos nós.



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