Flamengo e Lanús: A Disputa da Recopa e as Diferenças Financeiras no Futebol
Nesta quinta-feira, 26 de outubro, Flamengo e Lanús se encontram para decidir quem levará o troféu da Recopa Sul-Americana. Este torneio é uma chance para os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana se enfrentarem e, no primeiro jogo, realizado no Estádio La Fortaleza, em Buenos Aires, os argentinos saíram na frente, vencendo por 1 a 0. Agora, a expectativa está alta para o confronto no Brasil, onde o Flamengo, jogando em casa, busca reverter a situação e conquistar o título.
A Disparidade Financeira
Um aspecto que chama a atenção, além da rivalidade em campo, é a diferença significativa nas avaliações financeiras dos elencos das duas equipes. O Lanús, por exemplo, tem todo o seu elenco avaliado em 43,6 milhões de euros, o que equivale a cerca de R$ 271 milhões. Curiosamente, esse valor é quase o mesmo que o Flamengo investiu na contratação do meio-campista Lucas Paquetá, que custou 42 milhões de euros, ou aproximadamente R$ 263 milhões.
Mas quando olhamos para o valor total do elenco do Flamengo, a discrepância se torna ainda mais evidente. Considerado o time mais valioso da América do Sul, o grupo do Flamengo é estimado em 223,8 milhões de euros, ou cerca de R$ 1,3 bilhão, o que significa que o valor do seu elenco é mais de cinco vezes o do Lanús.
O Valor dos Jogadores
No Lanús, o jogador que se destaca em termos de valor é o meia Marcelino Moreno, que é avaliado em 5,1 milhões de euros (R$ 30,9 milhões). Ele se tornou a contratação mais cara da história do clube ao ser trazido do Coritiba por 2,7 milhões de euros (cerca de R$ 17 milhões). É interessante notar como o mercado brasileiro, com suas contratações milionárias, impacta diretamente a estrutura financeira dos clubes argentinos.
Diferenças Estruturais entre os Mercados
Especialistas em finanças do futebol apontam que essa diferença de valores não é apenas um reflexo de Flamengo e Lanús, mas sim uma representação das disparidades estruturais entre os mercados de futebol brasileiro e argentino. De acordo com Guilherme Bellintani, ex-presidente do Esporte Clube Bahia e atual CEO da Squadra Sports, o Brasil se destaca nos últimos anos devido a uma gestão mais eficiente e à modernização de suas estratégias financeiras.
Ele observa que o declínio econômico do futebol argentino, que não se adaptou adequadamente em termos de captação de recursos e comercialização de direitos, contribui para essa diferença. O que se vê, na verdade, não é apenas uma disputa entre clubes, mas uma competição entre modelos de gestão e estratégias de mercado.
O Impacto das Conquistas
Além disso, as conquistas na Libertadores nos últimos anos também revelam essa superioridade econômica. Desde 2019, somente os clubes brasileiros levantaram o troféu, e dos últimos sete finais, apenas dois foram disputadas por argentinos: River Plate em 2019 e o Boca Juniors em 2023. Em 2026, o Brasil igualou o número de títulos da Argentina na história da competição, uma tendência que vai além do futebol.
Patrocínios e Premiações
A discrepância financeira se reflete também nos contratos comerciais. O Flamengo, por exemplo, alcança patrocínios que superam R$ 260 milhões anuais, enquanto o Lanús deve ficar em torno de R$ 12 milhões por temporada. Quando se trata de premiações, a diferença é ainda mais acentuada: o campeão do Campeonato Brasileiro pode faturar até R$ 60 milhões, enquanto o campeão argentino recebe apenas cerca de 500 mil dólares (R$ 2,8 milhões).
O advogado Cristiano Caús, especializado em direito desportivo, destaca que a comparação entre as premiações pagas nas competições brasileiras e argentinas é inevitável. Ele afirma que essa diferença pode ser comparada à distância entre as ligas brasileiras e as principais competições da Europa. Essa realidade se torna um desafio para os clubes argentinos, que enfrentam dificuldades para competir em um cenário cada vez mais desigual.
Reflexões Finais
A disputa entre Flamengo e Lanús na Recopa Sul-Americana é mais do que um simples jogo de futebol; é uma representação das complexidades financeiras que permeiam o esporte. À medida que o futebol se torna cada vez mais uma indústria, as diferenças entre os clubes brasileiros e argentinos se tornam mais evidentes, o que levanta questões sobre a sustentabilidade e o futuro do futebol na América do Sul.
Independentemente do resultado, a partida promete ser um espetáculo emocionante e um reflexo das forças em jogo no futebol moderno.