Sem menção ao Brics e ao Mercosul, plano de Flávio prioriza OCDE e abertura

Flávio Bolsonaro e a Busca pela Adesão à OCDE: O Que Isso Significa para o Brasil?

No cenário político atual, muitas propostas e promessas são feitas, mas nem todas são suficientemente discutidas. Um dos pontos que ganhou destaque foi a intenção do candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, de retomar a adesão do Brasil à OCDE, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Essa proposta, que parece simples à primeira vista, carrega uma série de implicações e reflexões que valem a pena serem exploradas.

O Contexto da Adesão do Brasil à OCDE

A OCDE, que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo, é um espaço que promove melhores práticas econômicas e sociais. O Brasil já havia começado sua jornada para se tornar um membro da organização em janeiro de 2022, quando o processo de adesão foi oficialmente aberto. No entanto, desde a chegada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, esse processo foi praticamente interrompido. Para entender melhor, é importante lembrar que a adesão à OCDE não é algo que acontece da noite para o dia; é um processo que pode levar anos.

Atualmente, outros países como Argentina, Peru, Bulgária, Croácia e Romênia também estão nesse caminho de adesão. O pedido do Brasil começou na gestão de Michel Temer, que visava trazer o país para o centro das melhores práticas globais. Porém, a nova administração não só não retirou essa candidatura como também decidiu colocar as negociações em um estado de espera.

Desafios e Impedimentos

Um dos principais desafios que o Brasil enfrenta nesse processo é a alta do IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras. Essa taxa, que foi aumentada em 2025, vai contra um dos compromissos fundamentais que o Brasil precisa cumprir para se tornar parte da OCDE. A organização não aceita a prática de “câmbios múltiplos”, onde um tipo de operação financeira é favorecido em detrimento de outros. Essa situação complica ainda mais a posição do Brasil em relação à adesão.

Além disso, o governo Lula decidiu encerrar o que chamamos de corte escalonado do IOF Câmbio, que tinha sido implementado em 2022. Isso significa que a taxa, que atualmente está em 3,38%, será mantida em 3,5%, mesmo com planos anteriores de reduzi-la até zerar em 2029. As novas regras também incluem a unificação da alíquota de operações com cartões de crédito e débito internacional, compra de moeda e cartões pré-pagos internacionais em 3,5%. Essa mudança pode parecer técnica, mas tem um grande impacto na forma como o Brasil é visto pelas economias desenvolvidas.

O Que Flávio Bolsonaro Propõe?

Dentro do plano de Flávio Bolsonaro, a proposta de retomar a adesão à OCDE não é apenas um desejo, mas uma estratégia para reintegrar o Brasil ao cenário internacional. Em suas palavras, “o passo mais urgente é retomar o cronograma interrompido de adesão à OCDE, incluindo o fim gradual do IOF sobre o câmbio, que é condição obrigatória do processo”. Essa afirmação destaca a urgência de um compromisso que trará benefícios a longo prazo.

Outro ponto que merece destaque é a percepção de que a adesão à OCDE vai além de um simples selo de qualidade. Segundo o plano, “ela exige convergência das nossas normas aos padrões internacionais, melhora a governança das empresas estatais, reduz a corrupção e integra o Brasil às melhores práticas globais”. Essa visão é fundamental, pois mostra que a adesão não é apenas uma formalidade, mas uma mudança estrutural que pode trazer segurança e previsibilidade aos investidores.

Preparando o Brasil para o Futuro

Flávio também menciona a necessidade de uma abertura comercial que permita ao setor produtivo acesso a bens de capital, tecnologia e insumos importados. Isso, segundo ele, criará um ambiente de concorrência que pode reduzir preços e melhorar a oferta para os consumidores. Essa perspectiva é animadora, mas será que estamos prontos para dar esses passos?

O Brasil tem um longo caminho a percorrer para se alinhar às exigências da OCDE. No entanto, a disposição para reiniciar esse processo é um sinal positivo. É necessário que a sociedade, os empresários e o governo trabalhem juntos para garantir que essa adesão não seja apenas um projeto em papel, mas sim uma realidade que traga mudanças significativas para todos os brasileiros.



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